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Lance Notícias | 18/08/2022 11:32

18/08/2022 11:32

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Chapecoense fala sobre processo de se tornar pai solo com a adoção tardia

O jornalista chapecoense, Luis Fernando Lopes Levay, tem 43 anos e há seis meses realizou o sonho da adoção tardia. Luis comemorou o primeiro dia dos pais no último dia 14 de agosto. Em entrevista ao Lance Xaxim Luis conta que o desejo pela adoção surgiu ainda na infância. Aos sete anos de idade descobriu […]

Chapecoense fala sobre processo de se tornar pai solo com a adoção tardia Fotos: arquivo pessoal

O jornalista chapecoense, Luis Fernando Lopes Levay, tem 43 anos e há seis meses realizou o sonho da adoção tardia. Luis comemorou o primeiro dia dos pais no último dia 14 de agosto.

Em entrevista ao Lance Xaxim Luis conta que o desejo pela adoção surgiu ainda na infância. Aos sete anos de idade descobriu que era adotado por parte de pai, segundo ele o pai adotivo sempre foi um grande exemplo.

— Apesar de ter apenas o ensino fundamental era um homem extremamente sábio e culto. Tinha 14 profissões e falava quatro idiomas, mas vivia de forma muito simples e a ideia de retribuir o amor de pai na forma de adoção tardia sempre esteve presente, mas foi depois dos 40 anos que me senti seguro para tomar a decisão — conta.

Luis diz que compartilhava a ideia de adoção nos seus relacionamentos, mas as pessoas por não conhecerem não entendiam e não compartilhavam do mesmo sonho.

— Devido aos fatos eu decidi que eu iria primeiro realizar esse sonho para depois pensar em uma vida a dois — fala.

O filho de Luis se chama Marcelo e tem 12 anos. Marcelo vem de uma história complexa, sendo que ele e outros três irmãos foram retirados da mãe por ela ser dependente química. Luis conta que as crianças já estavam no abrigo há cinco anos, sendo as idades de 6, 8, 10 e 12 anos.

— A opção pela adoção tardia é porque essa é a realidade. Hoje a maioria das pessoas que buscam a adoção tem a ideia fixa de um bebê, branco de olhos azuis e essa característica não existe nos abrigos. O que existe são crianças acima de nove anos, negras. Hoje nós temos cerca de 160 crianças aptas para adoção em Santa Catarina e 250 em processo de adoção e a maioria dessas adoções são tardias, essa é a realidade dos abrigos — pontua.

Quando indagado sobre sua relação com o filho Marcelo, Luis fala que a relação é ótima, passaram por um processo de adaptação no início, mas ele conta que o segredo é a preparação.

— Eu tenho esse desejo desde a infância e eu passei a vida me preparando, estudando e como jornalista eu tive a oportunidade de frequentar abrigos, conhecer, fazer matéria sobre adoção e buscar conhecimento sobre o assunto — declara.

Para ele, a adoção de Marcelo aconteceu de maneira rápida, em nove meses ele já estava com o filho em casa.

— Após entrar com pedido de adoção, e habilitação em nove meses eu estava com ele em casa. Ele ainda está em processo, estou com guarda provisória, mas a questão da adaptação foi perfeita. Para mim é como se ele estivesse aqui o tempo todo e ele da mesma forma, a gente conversa todos os dias, sobre como a gente está. Ele está comigo já vão fazer seis meses. Mas o fato de estar dando certo cabe muito a minha preparação, inclusive estudando as adoções que não deram certo e porque não deram — afirma.

Devido a adoção, Luis e outros pais adotivos criaram um grupo para troca de experiências.

— Eu já tive problemas na escola de pessoas falaram bobagens na frente da criança do tipo “se você não se cuidar, seu pai vai te devolver”, esse é o maior medo de uma criança que sai de um abrigo, ser devolvida. A sociedade de forma geral não está preparada para lidar com esse tipo de situações, muitos por falta de estudo de casos e pelo preconceito — conta.

Luis fala que esperou muito e teve muito preparo até chegar o ponto de tomar a decisão certa. Então ele diz que o grupo surgiu com o objetivo de apoio, pais apoiando pais. Compartilhando experiências sobre o que funciona e o que não.

— Hoje ao procurar profissionais, são poucos que estão familiarizados com o tema. Se você procurar uma psicóloga que talvez não é familiarizada com adoção. Então por isso a gente busca apoio de associações e pessoas que trabalham e entendem o assunto — pontua.

Luis diz que hoje a principal necessidade é falar sobre o tema, e o grupo está disponível para auxiliar outras pessoas que passem pelas mesmas situações ou parecidas. Interessados em participar do grupo podem entrar em contato pelo telefone (49) 9 9154-1750.

— O principal para uma boa relação é o amor, a gente diz que se ama todos os dias, rezamos juntos todos os dias, se abraça, compartilha a vida. A primeira vez que a gente se viu nos acertamos e existe amor — fala.

Para finalizar Luis acrescenta:

— Adotar é antes de tudo um ato de amor. E amar, exige também algumas renúncias. E óbvio que a sua rotina muda e sua responsabilidade aumenta. Mas tudo isso é compensado de uma forma muito especial. A partir do momento em que você tem por quem se doar muitos de seus “problemas” que você acredita ter ficam em segundo plano. E você passa a ter um novo propósito de vida — finaliza.

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