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Lance Notícias | 31/08/2022 14:59

31/08/2022 14:59

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Do interior para o mundo: conheça a nova MPB de Amanda CAdore

Se “o interior é o centro”, a artista Amanda Cadore expande seus limites geográficos, sonoros, artísticos e chega a novos públicos. Lança nesta quinta-feira, 01/09, seu segundo álbum autoral: “Arrebentação – o mar como resposta”, nasce e fortalece a carreira da compositora, em um período pós-pandemia, quando Amanda e muitos outros artistas passaram por dificuldades […]

Do interior para o mundo: conheça a nova MPB de Amanda CAdore

Se “o interior é o centro”, a artista Amanda Cadore expande seus limites geográficos, sonoros, artísticos e chega a novos públicos. Lança nesta quinta-feira, 01/09, seu segundo álbum autoral: “Arrebentação – o mar como resposta”, nasce e fortalece a carreira da compositora, em um período pós-pandemia, quando Amanda e muitos outros artistas passaram por dificuldades básicas e se viram sem horizontes para prosseguir na profissão. O trabalho, composto por cinco faixas com composições próprias, de autoria da artista, atravessa o público seguindo a linha da Nova MPB e POP Leve, marcando a identidade musical da compositora e abrindo caminho para artistas que, como ela, iniciaram a carreira no interior do Estado, às margens dos grandes centros urbanos.

“O simples me interessa”

Com acordes e letras simples, mas nem por isso menos profundas, o álbum traz como base sonora o violão – identidade já firmada no decorrer dos sete anos de carreira, o novo álbum também traz novidades.

— Foi um percurso criativo muito bonito, sentindo e construindo essa identidade sonora. Foi essencial que partíssemos do violão, então todas as músicas se estruturam em cima do som desse instrumento e isso fez com que eu mantivesse a simplicidade das músicas. Os beats entram como novidade nesse processo trazendo uma textura mais pop para o trabalho e uma levada diferente para esse som. Apesar de os arranjos e o corpo da música serem sofisticados, a estrutura e o conteúdo são simples, são sobre coisas simples, detalhes rotineiros, cotidianos, o meu dia, as minhas crenças. Esse trabalho fala muito sobre mim e sobre o que foi transformar esse momento pandêmico para conseguir ainda fazer o que eu amo: música. Esse compilado de composições mostra, é claro, um estilo musical firmado, mas também um estilo de vida, o que eu escolhi, as minhas prioridades e necessidades revistas após a pandemia que me transformaram enquanto pessoa e, como consequência, enquanto artista — conta Amanda.

O álbum foi premiado pelo Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2021, a principal política pública cultural desenvolvida no Estado, e estará disponível nas principais plataformas digitais, como Spotify, Deezer, Apple Music e Amazon Music.

— Esse com certeza é o trabalho mais caprichado que eu já fiz, o que eu tive mais tempo para me dedicar, estudar e pesquisar e, onde eu fui muito feliz e abençoada pelos encontros com profissionais incríveis que me ajudaram a construir esse trabalho, em sincronia — pontua.

“De onde eu vim é impossível alguém viver de música”

Amanda cresceu em Barão de Cotegipe, cidade com pouco mais de 6 mil habitantes, no interior do Rio Grande Sul, Amanda iniciou seu contato com a música ainda na infância.

— Ela gostava de futebol e violão. Era a única menina que jogava futebol em um time até então só de meninos. Foi com seis anos que ela ganhou o primeiro violão, mas não sabia cantar, até que um dia, em uma apresentação na escola, no ensino médio, ela cantou, surpreendeu todo mundo e não parou mais. Ela também escrevia poesias e foi premiada na escola. Eu sempre sonhei com a minha filha fazendo sucesso na carreira, mas nunca pensei que isso fosse possível acontecer com as músicas dela — conta Maria Salete Cadore, revistando as memórias de infância da filha.

Foi em 2015, já morando em Chapecó, oeste de Santa Catarina, que lançou seu primeiro single “Travesseiros” e depois o primeiro álbum “Inverno só se for azul”. Enfrentando o cenário adverso para mulheres que decidem viver de música, a artista não parou mais. Seu último lançamento, o single “Fênix”, em parceria com Dandara Manoela e Joana Castanheira, em apenas duas semanas já foi ouvido mais de 25 mil vezes na plataforma Spotify.

“Ninguém leva a sério uma menina atrás de um violão. Todos acham que é um hobby”

— Cresci num cenário cultural totalmente adverso ao que eu tô construindo hoje, tanto para a minha vida quanto para a minha carreira. Isso me prejudicou, mas também me fortaleceu de várias formas. Em muitos momentos eu me peguei pensando ‘como eu faço? Como vou produzir, sendo mulher, vinda do interior?’. Apesar de eu tocar violão desde criança e desde pequena escrever minhas primeiras linhas, eu nunca fui levada à sério, por ser uma menina atrás de um violão, de uma guitarra, isso sempre foi visto como hobby. Até que eu apareci no The Voice. Quando eu apareci no programa foi o momento em que a sociedade olhou pra mim de outra forma. Hoje é muito satisfatório saber que eu trabalhei muito, pesquisei, estudei, fortaleci a minha música, pelo meu próprio trabalho. Não precisamos estar procurando esse aval abstrato da sociedade. Só precisamos fazer o que sentimos que é pra fazer e, no meu caso, é música — acrescenta.

“O caminho é mais longo para as mulheres”

Em um cenário composto majoritariamente por homens, Amanda segue firmando e conquistando novos espaços. Há um ano mudou-se para o litoral de Santa Catarina em busca de novos horizontes profissionais. No interior a compositora é referência pra quem está começando.

— Nós artistas mulheres estamos no mesmo barco, estamos assumindo o papel de protagonistas da nossa vida e da nossa arte. Sou eu que assumo a responsabilidade pela minha vida, pelo meu corre, pelo meu caminho e por como construir o meu trabalho para chegar às pessoas. A cada dia mais vejo artistas mulheres saindo do interior, me perguntando sobre esse caminho e estarmos juntas nesse processo de troca é muito importante. Quando eu comecei não tinha noção como eu fazia pra gravar uma música, pra distribuir, pra fazer esse som tocar nas plataformas, eu fui, estudei, pesquisei, e hoje eu já tenho um caminho andado, que pode sim encurtar o caminho dessas outras meninas que saíram do mesmo lugar que eu. Para nós mulheres o caminho é sempre mais longo, precisamos nos fortalecer. Antes de sermos considerados artistas da música, temos que provar nossa escolha, sei que estamos longe de equilibrar esse cenário, mas estamos dando um passo por vez, todos os dias, sem pausas —  enfatiza.

Novo shows une múltiplas linguagens

O momento agora é de preparação para as novas apresentações. A artista prepara um novo show, com o trabalho novo lançado nesta quinta-feira, que promete uma experiência para o público.

— Estou me dedicando muito para que as pessoas passem por uma experiência, transcendam esse momento. Quando eu coloco minha música no mundo eu dou a possibilidade subjetiva para que as pessoas sintam o som, experienciam e se relacionem com a música, e com esse novo show, sendo preparado com muita pesquisa, não será diferente — conta Amanda.

A artista se apresenta em 16/09 no Aracá, em Florianópolis e em 22/10 no Magnólia Festival, em Chapecó, o maior festival de música do oeste catarinense.

 

Acompanhe o trabalho pelas redes sociais da artista.

Contrate o show: [email protected]

Faça o pré-save do álbum aqui.

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