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Lance Notícias | 17/06/2022 11:54

17/06/2022 11:54

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Natural de Xaxim, jovem realiza sonho de infância na carreira de produção artística

Natural de Xaxim, jovem realiza sonho de infância na carreira de produção artística Fotos: Arquivo pessoal

Natural da cidade de Xaxim, o jovem Leonardo Luiz Knapp Faé, de 32 anos, saiu do município aos 18 e foi morar em São Paulo (SP) para realizar um sonho que tinha desde criança, o de ser produtor artístico. Conhecendo um pouco do sonho de Leonardo, o Lance Notícias entrou em contato para saber mais sobre a trajetória.

Filho de Altair Faé, engenheiro agrônomo no município de Xanxerê, e Anne Faé que foi reitora da Celer Faculdades de Xaxim, reitora da Apae por mais de 25 anos e dedicou-se a educação por um longo período, Leonardo diz que os pais são a base de toda a sua vida. Confira mais sobre a história:

— Eu morei em Xaxim até os meus 17 anos. Meus pais que significam tudo para mim, me criaram de uma forma em que me fizeram enxergar o mundo de outra forma, eu sempre tive a perspectiva de que precisava conhecer o mundo, conhecer uma capital, apreciar a vida de ângulo diferente, então eles queriam muito que eu estudasse fora, realizasse viagens de intercâmbio e coisas do tipo, pois no exterior tudo é completamente diferente, e a partir disso eu teria a escolha e saberia o que eu gostaria de fazer— conta.

Leonardo desde criança, aos sete anos ele sonhava estar no meio artístico, ele conta que acompanhava todos os programas do meio, e sua brincadeira preferida era planejar o dia de um artista.

— A minha brincadeira preferida de criança era ter um caderno de planejamento, aonde eu planejava meu dia a dia de artista, eu fazia um cronograma com horários, por exemplo “7h ir para tal campanha, valor da campanha…”, eu brincava muito de produzir, só que morando em Xaxim, eu não sabia que isso se chamava produção artística e na minha cabeça eu queria ser artista— diz.

Para Leonardo, morando em Xaxim, a realização do sonho não era acessível, o meio artístico era uma coisa muito distante para quem morava no Oeste Catarinense. Até que aos seus 14 anos, ele foi descoberto na rede social Orkut, por um repórter da revista capricho, muito famosa na época.

— Aos 14 anos fui encontrado no Orkut, pelo Phelipe Cruz, jornalista fundador do Papel Pop  que hoje é um dos maiores portais pops do Brasil, mas na época ele era repórter da revista capricho, e eu comecei a fazer algumas matérias como colírio da capricho e a partir disso fui entrando no meio artístico de SC mesmo, fiz vários materiais para a capricho por uns três ou quatro anos—declara.

A partir daí o sonho de Leonardo foi crescendo e ele conta que seu maior era ir para São Paulo estudar na escola de atores, WolfMaya.

— Aos 16 anos fui para Balneário Camboriú (SC) estudar Direito, fiz cinco semestres e tranquei a faculdade. Em novembro daquele ano abriram as matrículas para o teste da escola WolfMaya, eram três mil candidatos para cem vagas. Eu me matriculei escondido dos meus pais, mantive em segredo por três meses, até que chegou janeiro e eu tinha que estar em São Paulo para fazer o teste e eu não tinha contado aos meus pais ainda que eu iria largar a faculdade de Direito, mudar para São Paulo e entrar na escola de atores. Foi uma conversa muito séria na época, porque eles trabalhavam três turnos para me proporcionar o melhor. Imagina depois de três anos de faculdade seu filho chegar e dizer que está largando tudo para viver em um mundo desconhecido, o mundo artístico. Essa ideia dava medo para eles—pontua.

Leonardo fala que a ideia de largar tudo e se dedicar ao mundo artístico foi um choque para os pais. Mas ele mesmo assim não desistiu do sonho e foi em busca de sua realização.

— Para os meus pais aquele momento foi como uma bomba d’agua, eles não aceitaram nada bem. Eu fui para São Paulo com uma mão na frente e outra atrás, sem o apoio dos meus pais. Entrei na escola, morei em São Paulo, cursei seis meses da escola e lá conheci os bastidores e conheci uma coisa chamada ‘produção artística’, criativa, de entretenimento, de teatro musical, e eu me fascinei por esse mundo e vi que o Léo criança era o Léo que queria ser produtor, e a forma que eu trabalho hoje, não é nada diferente do que eu produzia enquanto brincava—destaca.

Leonardo acredita que o amor por produzir foi um dom recebido por Deus. Ele fala que sempre teve esse sentimento dentro dele e ter ido atrás do seu sonho o fez descobrir ainda mais o que ele poderia se tornar. Em um ano ele se tornou diretor e produziu grandes trabalhos artísticos para a Fundação Lia Maria Aguiar

— Deus sempre me deu esse dom de produzir, eu tinha esse dom dentro de mim. E eu ter esse ato de coragem de ir para São Paulo atrás do meu sonho foi aonde eu me descobri, pois isso já estava dentro de mim, do meu coração. E a partir dali tudo foi muito rápido, em um ano eu já era diretor de produção da fundação Lia Maria Aguiar onde eu trabalho até hoje, é o projeto mais lindo de amor do Brasil, é um projeto de transformação de vidas, de uma senhora de 84 anos, dona Lia Maria de Aguiar. E eu trabalho hoje nesse projeto de amor, único e referência em arte no Brasil. É um privilégio poder trabalhar no projeto mais lindo que transforma vidas no Brasil— afirma.

A fundação proporciona para 700 crianças atividades de arte, cultura, aulas de canto, jazz, sapateado, teatro, circo, musicalização, alimentação e médicos. De acordo com Leonardo tudo é oferecido gratuitamente.

A escola de atores WolfMaya 

— Foi no WolfMaya que conheci o Thiago Gimenes, um dos maiores produtores musicais do Brasil, um dos maiores compositores de músicas como Zizi Possi, Marcos e Beluchi, Tania Mara, além de várias trilhas de novelas, conheci também a Keila Fuke, coreógrafa da Disney, coreografou a série Z4, fez vários espetáculos da Broadway que já vieram para o Brasil. E são meus melhores amigos, minha família em São Paulo. Foram eles que acreditaram em mim e me levaram para conhecer a fundação Lia Maria Aguiar, que eu poderia ser um diretor de produção—conta.

Em 2010 Leonardo assumiu seu primeiro projeto como diretor musical com um espetáculo de teatro musical com investimento de R$3 milhões, foi aonde começou sua carreira como produtor musical.

— Em 2012 produzi o musical ‘A Princesinha’ que é um clássico do cinema, da Warner, e esse foi o primeiro filme que assisti no cinema aos sete anos, e 20 anos depois eu precisava erguer um espetáculo de Natal e veio no meu coração a história da princesinha, e a gente foi ver o direito era público, foi um elenco lindo e o espetáculo foi um sucesso absurdo— enfatiza.

A produção de Leonardo naquele ano de 2013 ganhou a premiação de melhor musical do ano.

— Imagina, estávamos concorrendo com outras grandes produções e a produção de um xaxinense, um menino na época, com uma grande produção, foi renomado pela crítica, ganhou as cinco estrelas da Veja e da Folha de São Paulo. Ali comecei a consolidar meu nome e a minha carreira, graças a todas essas pessoas que sempre estiveram ao meu lado. Nessa oportunidade conheci a Tânia Mara e já são dez anos que atuo como produtor dela — pontua.

Hoje Leonardo conta com 14 anos de carreira na produção artística e ele diz que não existem palavras para descrever o sentimento. Para ele todas as pessoas que teve a oportunidade de conhecer foram responsáveis por chegar aonde está.

—Eles me abriram caminhos e hoje eu cuido de agendas, redes socias, materiais de imprensa, digo que quando a gente sabe onde quer chegar, nada é impossível— exclama.

Leonardo fala da grande oportunidade recebida através de um convite do diretor de cinema, Jayme Monjardim.

— Uma grande oportunidade que tive, graças a um convide do diretor Jayme Monjardim a festa de estreia do lançamento “em Família” no Copacabana Palace, uma noite que contou com show da Tania Mara, Ana Carolina, Sandy, e eu cuidei de todos os shows artísticos da festa, aquilo para mim era um sonho se concretizando em produzir um evento na TV Globo, um sonho de infância. E nessa fase eu lembrava do menino de Xaxim que ouvia não de todos, o menino que ninguém acreditava que daria certo. Hoje cuido da Tania Mara, Thiago Gimenes, Jayme Monjardim e outros nomes de renome no meio artístico— finaliza.

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