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Lance Notícias | 10/07/2022 14:31

10/07/2022 14:31

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Papel machê: uma mistura de cola, água e papel capaz de contar histórias

O corpo da criança é dela e não é de mais ninguém. Silêncio é Biblioteca, uma exposição com narrativas visuais em papel machê é um projeto que foi aprovado em um edital estadual no ano de 2021 da Artista Manon Alves. Fernando, que é esposo de Manon, conta que ele e sua esposa, originalmente são […]

Papel machê: uma mistura de cola, água e papel capaz de contar histórias

O corpo da criança é dela e não é de mais ninguém.

Silêncio é Biblioteca, uma exposição com narrativas visuais em papel machê é um projeto que foi aprovado em um edital estadual no ano de 2021 da Artista Manon Alves.

Fernando, que é esposo de Manon, conta que ele e sua esposa, originalmente são uma companhia de teatro chamada “Cia de la curva”, onde dentro do seu repertório de montagem da companhia há um monólogo da Manon que fala da temática do abuso e da violência contra a criança e o adolescente.

Dentro desse trabalho para relo que Manon faz como artista visual, ela pensou em dar continuidade a temática do abuso através da escultura de papel machê e colocar isso num projeto que se pudesse levar para mais pessoas, para as crianças, que são as pessoas que sofrem essa violência.

Fernando explica que a intenção é levar o projeto às escolas públicas das cidades de Xaxim, Abelardo Luz e Calmon, nessa ideia de exposição que é visitada.

— Agora estamos numa escola rural que está sendo visitada pelas escolas da área urbana, normalmente o caminho é inverso, é a escola rural que vai para a cidade.
Fazemos uma exposição visual, um vídeo, que ajuda a entender o contexto e o processo de criação do trabalho — conta.

A equipe é grande, Fernando criou uma trilha sonora que toca durante a exposição, o que ftorna a exposição multissensorial. As crianças podem tocar nas peças enquanto escutam o som. Na equipe há também uma parte de curadoria feita por Janaína Corá e o acompanhamento das psicólogas que trabalham dentro desta área, na delegacia, onde são recebidas, todos os dias, denúncias de abuso e violência contra as crianças.

— Tem sido muito bom ver a reação das crianças, o despertar também, de sair do estado de silêncio, de se identificar com o que elas estão vendo, porque o tema já é violento, delicado, e a ideia da exposição também é trazer esculturas um pouco mais lúdicas, porque tem esse peso, mas com a expressão muito bela do trabalho da artista —, finaliza Fernando.

A exposição ficará aberta à visitação até o dia 14 de julho e já passaram pela escola mais de 500 alunos de outras escolas da cidade.

Sobre a curadoria da exposição:

Janaína Corá é professora de artes e artista visual e no projeto em questão trabalhou apoiando a artista no papel curatorial, que nada mais é do que acompanhar o processo da artista, assessorar as obras da artista Manon.

No processo de criação das obras, Janaína e Manon iam discutindo o significado de cada obra, suas potências e soluções estéticas na apresentação das obras.

Janaína conta que pelo fato da exposição ser circular, de não ter sido programada para um espaço específico, ela precisa se adaptar aos espaços, sem tirar o caráter do lugar que a recebe, que normalmente, são escolas.

— conversamos sobre referências do universo dos cinemas, das artes como um todo para pensar em alguns símbolos para tocar nesse assunto tão delicado que é a violência sexual, porque é um tema sensível por si só, difícil de ser falado até para um adulto, imagina para uma criança e um adolescente que nem entende, nem amadureceu a questão da sexualidade, não sabe se é normal ou não é. As vezes ela acha que isso está acontecendo com todo mundo! E isso não é normal —, comenta Janaína.

A técnica usada por Manon é vinda do oriente e é muito antiga, basicamente, estão tratando desse assunto delicado com água, papel e cola. Algo simples, acessível à qualquer pessoa e que pode, assim como as esculturas de bronze, mármore, pedra, madeira e qualquer outra, carregar uma mensagem.

O papel machê é utilizado para confeccionar máscaras de carnaval e pode ser utilizado em muitos cenários, inclusive para se tratar de um assunto tão delicado como o abuso e a violência contra a criança.

Janaína conta que usaram muito da ludicidade, porque a exposição precisa ser atrativa para as crianças e ao mesmo tempo, precisa tocar naquele lugar sensível que é da violência, porque esta é física, mas também é psicológica, duas questões a serem pensadas e trabalhadas.

Durante a exposição, a equipe consegue perceber quais as crianças que mais se identificam com as obras e, dessa forma, alertam os professores e os pais para que investiguem o comportamento da criança e se há algo diferente nela para que seja possível oferecer ajuda.

— O acolhimento dessas denúncias é uma parte muito importante porque as vezes a criança fala e o adulto pensa que ela não sabe o que está falando e não. Se uma criança falar alguma coisa, o adulto tem que parar e prestar atenção. Então são essas questões todas que perpassam essa exposição. Então, tem que ser falado sobre isso. É difícil? É difícil, mas é um assunto que é para ser pensado — finaliza Janaína.

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